Economia Sem Segredos
Ronara Reis
Mercado: quem é ele?
- 26/7/2010
Não é sem freqüência que ouço muita gente colocando a culpa de tudo no mercado: o aluguel está caro - culpa do mercado; acabaram as batatas no supermercado - culpa do mercado; estou gorda demais - culpa do mercado; estou magra demais - culpa do mercado...
São apenas alguns exemplos, mas revela que este tal sujeito deve ser muito, muitíssimo poderoso, afinal, consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo e interferir em todo e qualquer acontecimento.
Em economia, então, para tudo o que não se entende ou o que não se consegue explicar com poucas palavras, lá vem ele todo prosa com alguma solução mágica para todos os males e para todas as benesses.
O pior de tudo é quando alguém sugere que o mercado deve resolver isso ou aquilo. Ou que o governo não pode deixar isto assim ou assado. Raciocínios perigosíssimos e que precisam ser separados, pois não são a mesma coisa e estão longe de serem sinônimos.
Pensei neste tema, porque sempre ouço a respeito da especulação imobiliária em Itabira. Todos reclamando dos altos preços dos aluguéis, dos preços dos imóveis e que a culpa é do governo que não faz nada. Ops!!! Pensei, pensei, pensei e não entendi a afirmação. Assim, comecei a pensar!
Primeiramente, mercado nada mais é do que a interação entre agentes econômicos. Existe alguém querendo vender algo e alguém querendo comprar este algo. Os dois agentes realizam a troca e isto é tido como mercado!! A variável que ajusta a troca seria o preço, que refletiria a situação na qual os agentes envolvidos na troca estão satisfeitos. Caso contrário, a troca não ocorreria. Aqui, apenas um exemplo, mas, se se pensa em um município todo "funcionando", perceber-se-á o mercado, ou seja, a troca dos diversos bens e dos diversos serviços.
Por definição, as relações de troca ocorrem sem a intervenção de nenhum agente externo, neste caso, o governo. Quando um dos agentes não está satisfeito, a troca não ocorre e é, neste instante, que existe a possibilidade de negociação, da "pechincha". Caso haja entendimento entre as partes envolvidas, chegar-se-á a um consenso, ao estabelecimento de um novo preço que satisfaça a ambos e é a isto que se chama de mercado "funcionando". Assim, o funcionamento do mercado prevê a negociação entre os agentes sem a interferência de ninguém.
É verdade que, por vezes, o mercado, a troca, a negociação não dá respostas satisfatórias aos agentes e o governo deve, sim, chamar para si algumas responsabilidades que devem ser, a priori, estabelecidas e tidas como objetivo de política econômica, independentemente da esfera de governo. Como exemplo, existe, no Brasil, o caso da telecomunicação. Existe concorrência neste mercado, mas o governo estabelece regras e a Anatel cuida para que as mesmas sejam cumpridas. Por que isto? É objetivo do governo que a população tenha acesso aos meios de comunicação. Para uma empresa privada, o interessante seria atender aqueles clientes mais "baratos" para ela. Qual interesse de colocar telefone lá longe? Se se deixa o mercado resolver, esses agentes teriam que "se virar". Através da Anatel, são estabelecidos critérios para que esta população também seja atendida.
Portanto, o governo deve intervir quando o mercado falha e não chamar para si a responsabilidade de resolver os problemas de determinados segmentos. Ainda assim, existe uma "saída": os Procon´s são uma forma de intervenção do governo no mercado. Se está abusivo, existe recurso, mas há que se procurar os direitos...
Até a próxima!!
Sugira um tema: o que você quer saber sobre economia?
Contatos: rcbreis@ig.com.br.
|