Diminuição da pobreza e aumento da riqueza
- 14/8/2008
Por mais redundante que o título possa parecer, não é!! Diminuição da pobreza e aumento da riqueza não são sinônimos!!
Foram divulgados, nesta semana, dados de uma pesquisa realizada pelo Ipea que indicam que, no Brasil, houve uma diminuição da pobreza e um aumento da riqueza de 2002 para cá. A pesquisa contemplou 6 regiões metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. De acordo com a metodologia adotada pela pesquisa, são consideradas pobres as pessoas que recebem até meio salário mínimo, ou seja, R$ 207,50, enquanto são ricos os que recebem acima de 40 salários mínimos (R$ 16.600,00). Portanto, este recorte já indica que os condicionantes que diminuem a pobreza não podem ser os mesmos que levam ao aumento do número de ricos. Assim, a diminuição da pobreza pode ser explicada, em parte, pelo crescimento econômico, pelo aumento do salário mínimo e pelo aumento das transferências do governo, através de programas sociais. Trata-se de um resultado interessante e desejável. As diversas economias buscam formas de alcançar números tão elegantes. No entanto, a fragilidade deste tipo de resultado é a maneira como o mesmo é alcançado. Não sou contra programas sociais, mas o aumento da renda das famílias pobres ocorre sem a contrapartida pelo lado da produção. Isto quer dizer que o agente econômico não está sendo inserido na população economicamente ativa (Peã), ele não faz parte da produção do país. Apenas recebe os recursos. Se, por um lado, isto mantém o nível de consumo do país, por outro lado, não inclui este cidadão de maneira produtiva. É o que se chama de assistencialismo.
Observando os resultados alcançados pela parcela rica da população, os fatores que levam a tal situação são outros. De acordo com dados da mesma pesquisa, a classe média brasileira vem aumentando sua participação na Pea. Bom para o país. E isto ocorre, porque a classe média vem conseguindo ganhos de produtividade ao longo do tempo, o que eleva a renda destes agentes econômicos. Porém, a mesma pesquisa aponta que os ganhos de produtividade alcançados pela classe média não são completamente repassados para a mesma, o que quer dizer que os ganhos estão aquém daquilo que vem sendo produzido. E para onde vão estes ganhos? Eles desaparecem como em um passe de mágica? Não. Obviamente que não. Os mesmos são absorvidos pelos donos dos meios de produção, ou seja, esta camada rica da população que vê seus ganhos aumentados! Diante disto, há o que comemorar, mas também há coisas para melhorar!
Até a próxima!! Sugira um tema: o que você quer saber sobre economia?
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