Economia sem segredos

Ronara Reis

Economia e política - 23/1/2012

Este é um ano de eleições e, como de praxe, todos devemos estar atentos ao que será dito, como será dito, quando será dito... Tão importante quanto isso é observar a realidade em que estamos inseridos, o que foi dito a priori, o que foi cumprido, o que não foi cumprido, o que foi negligenciado, o que foi um despropósito!

Ouço, aturdida, que as pessoas, ou melhor, os cidadãos, de maneira geral, não se lembram em quem votaram nas últimas eleições. Percebo, desconcertada, os deboches e as críticas a quem são os representantes que conduzem a vida pública do município, do estado e do país. No entanto, deboches e críticas partem de quem os elegeu para estarem onde estão e, daí, a responsabilidade é, inclusive, nossa, que votamos e temos o poder de colocar esses representantes onde estão! É preciso assumir tal responsabilidade!

É muito comum ouvir falar “os políticos” como se não tivéssemos responsabilidades por colocá-los nesse lugar... Parece algo distante de todos nós, porém, nada mais são esses sujeitos do que pessoas eleitas por cidadãos que têm poder de escolha, que têm poder de voto! Ah, quem dera todos entendêssemos o significado e o poder do voto! Infelizmente, ainda é uma obrigação que deve ser cumprida!

Economia e política estão intimamente relacionadas. E, nos tempos áureos, e fora do mainstream, o que existe é a economia política. Para que serviria a economia senão para organizar a sociedade, para aumentar o bem estar dos cidadãos? Infelizmente, isso vem sendo deturpado, ao longo do tempo, pela matematização excessiva da ciência econômica e pela tentativa de predições dos modelos criados, a partir de inúmeras condições e pressupostos.

Existe no país a necessidade de reconstrução e de reforma do estado, a fim de dotá-lo de capacidade de gestão pública autônoma e voltado para o interesse coletivo. Enquanto o sistema político brasileiro praticar a dupla função dos partidos de ser uma máquina especializada para a disputa eleitoral e de ser um meio de efetivo exercício de poder, o interesse coletivo pode até ser mencionado ou prometido, mas, dificilmente, será o cerne da conduta das políticas partidárias. Uma vez eleito, o “político” possui controle sobre seu mandato e tende a atender à produção de benefícios concentrados a seu reduto eleitoral.

Vale, pois, à pena, ponderar tudo isso antes de exercer o poder do voto!

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