Artigo
Regiane Ferreira
Um circo de horrores chamado Big Brother
- 2/1/2009
Outro dia parei para pensar os motivos que levam tanta gente a ficar com os olhos grudados em frente a televisão para assistir o programa global que leva o nome de Grande Irmão, ou melhor "Big Brother". Uma única vez assisti o episódio final de 2008. Parecia mais um laboratório com ratinhos ou um teatro de marionetes ensebadas e maquiadas para um país pobre de idéias e cultura.
Achei estranho o jornalista Pedro Bial denominar os confinados na casa como "heróis". Afinal, o que os faz heróis? Será que salvaram vidas ou então, conseguiram sobreviver como tantos pais de família que recebem pouco mais de um salário mínimo por mês?
A disputa do programa não é nada mais que uma dura prova de convivência, em que os competidores possuem as mais variadas artimanhas para com seus iguais e têm seus 15 minutos de fama. É uma nova versão da luta dos gladiadores na Roma Antiga, em que o povo se divertia com o circo armado. Mas, o pior é que, rapazes e moças adoradores de corpos sarados não possuem a mínima condição de contribuir para nosso processo de desenvolvimento cultural. Mas, são capazes de lançar conceitos errôneos, gírias e palavrões.
A programação da TV não se preocupa com o dever permanente para com a sociedade, fundamentalmente de ordem ética, visto que são todas concessionárias do serviço, que é público. Os concessionários, exceção às TVs temáticas, só buscam audiência, principalmente no chamado horário nobre, em que todo o Brasil está voltado para as telas. A televisão desempenha um grande papel na propagação de novas idéias. Bom, sabemos que bons programas são poucos e infelizmente são gerados em sua maioria pela TV paga. E, com isso, o telespectador continua carente de cultura, tendo que engolir Big Brother e as danças do quadrado, mulheres melancias e outras frutas podres que chegam.
Regiane Ferreira é Jornalista
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