Economia Sem Segredos
Ronara reis Eleições e economia - 4/6/2010
As eleições estão se aproximando e todos devem estar atentos. Anos eleitorais são sempre muito interessantes, pois muitas promessas são feitas e a maioria relaciona-se com aspectos econômicos. Por isto, um pouco de conhecimento das possibilidades da economia é sempre bom, para que se saiba se as promessas são factíveis ou apenas um discurso.
É muito comum prometerem crescimento, desenvolvimento, maiores salários, mais empregos etc etc etc. São promessas boas e possibilidades para qualquer economia. No entanto, crescer como? A partir de que ferramentas? Que instrumentos serão utilizados? A economia brasileira produz perto dos limites da capacidade instalada. Então, qualquer proposta de crescimento passará, primeiramente, pela expansão desta capacidade, sendo esta imprescindível para qualquer aumento do PIB. Somente uma expansão das possibilidades de produção de uma economia levará a crescimento, a desenvolvimento, a empregos, a salários, promessas tão comuns de serem feitas, porém, difíceis de cumprir.
Se a capacidade instalada for expandida, junto com o crescimento, não haverá pressões inflacionárias. Não faz muito tempo, o presidente Lula afirmou que ele precisava do crescimento para conter preços! Certíssimo o raciocínio dele, se se entende que a inflação é decorrente de uma pressão de demanda ou de uma escassez de oferta. Se assim o for, o crescimento se faz necessário. Porém, caso os preços se elevem por fatores externos, aí, realmente, não se tem muito o que fazer. Pelo menos, no curto prazo, não!
Outro ponto recorrente nas eleições é o corte dos impostos. Certamente, algum candidato já deve estar alardeando isto por aí. Porém, impostos, ou qualquer outro tributo, não são fáceis de serem cortados assim. Não é simples e isto acontece por uma série de razões. Primeiramente, porque, dificilmente, o governo poderá abrir mão de receitas! De onde vem a arrecadação de recursos do governo independentemente da esfera? Dos tributos. Então, se se corta a fonte de recursos, de onde virá o dinheiro do governo? Outra questão a se pensar: existem obras e projetos em andamento que têm, por legislação, prioridade por obras que virão a ser feitas. Um corte de tributos comprometeria tudo isto! Além de todos estes impactos, existe a Lei de Responsabilidade Fiscal que disciplina não somente os gastos, mas também as fontes de arrecadação. Por isto, uma proposta séria de reforma tributária demandaria uma alteração das leis. Assim, o que me parece mais acertado, em uma promessa como esta, seria a alteração, a priori, de aspectos legais, o que garantiria ganhos de longo prazo, inclusive, e não somente aquele “efeito-eleição” do corte dos tributos.
Vale a pena prestar atenção no que está sendo prometido e raciocinar, ok?
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